segunda-feira, 9 de setembro de 2013

**Capítulo.21**

    Capítulo.21



Por cima do meu cone de gelado olhei para a Margarida.Ela estava a rir enquanto tentava pescar um pedaço de chocolate com a sua colher de plástico.Sorri,não conseguia acreditar como as coisas estavam a correr tão bem entre nós.Ela suspirou e olhou para o céu.Quando se apercebeu que estava a olhar para ela sorriu-me abertamente.
-O que foi?-perguntou-me.
-Nada,está tudo perfeito.-respondi suspirando,ela sorriu-me.
Continuei a olhar para ela pensativo.Já era o nosso décimo encontro e passávamos e tempo todo praticamente juntos,mas nunca lhe tinha chegado a pedir em namoro.E se ela estivesse á espera de um pedido?E se ela só me visse como um amigo?Subitamente o ambiente sereno foi substituído por nervos e ansiedade.
Passei a mão pelo cabelo.Por nós passaram dois rapazes que começaram a olhar para ela,ela nem reparou,comecei a ficar cada vez mais nervoso. E se ela namorasse com outro?Era impossível,não é?
-Margarida...-comecei,ela olhou para mim a sorrir.Senti um nó no estômago.Oh meu Deus,o que é que lhe digo?! pensei sentindo-me confuso.Abri a boca mas nada saíu.
-Oh Deus...-sussurrou e olhou para o chão.
-O que foi?-perguntei,era assim tão óbvio o que se estava a passar dentro da minha cabeça?
Ela não me olhou nos olhos e desviou a cara para o chão.Começou a andar muito depressa e tive de correr para a alcançar.
-O que se passa?
-Lembras-te daquele rapaz que te falei,aquele que foi um porco comigo?-perguntou sussurrando.Acenei que sim com a cabeça,rezando para que ela não me dissesse que namorava com ele ou alguma coisa do género.-Não olhes,mas ele está ali.
Sem puder evitar olhei imediatamente por cima do ombro.Encostado a um edifício estava um rapaz a fumar e com uma garrafa de cerveja na outra mão.Era alto e entroncado,tinha o cabelo espetado castanho e uma barba por fazer.Estava com mais dois rapazes,cada um deles com camisolas de alças e caps.Um deles atirou uma garrafa para o chão,espalhando o líquido que tinha por dentro pelo chão.O rapaz que a Margarida tinha referido,olhou para mim,franzi-lhe o sobrolho.Como é que ela alguma vez gostou daquele tipo? pensei sentindo um certo nojo por ele.
-Queres ir-te embora?-perguntei também num sussurro.Ela abanou a cabeça ainda a olhar para o chão.
-Ei,Margarida!-gritou uma voz atrás de nós.
Ao meu lado,a Margarida fechou os olhos mas continuou a andar.O gelado tremia-lhe nas mãos.Fiquei ali a olhar para ela sem saber bem como reagir ou o que fazer.
-Ei,Margarida.-chamou outra vez.Ouvi-o a correr na nossa direcção,revirei os olhos ,não me apetecia nada olhar para ele.
Ela virou-se.Tinha os olhos franzidos e os punhos fechados.Ele sorria de forma disparatada,via-se que já não estava propriamente sóbrio..
-Bem me parecia que eras tu.Então que andas a fazer por aqui?-perguntou olhando para ela de cima a abaixo.
-O que é que queres,Tiago?-perguntou bruscamente.Ele levantou uma sobrancelha,olhou para os outros,que estavam a rir,por cima do ombro.
-Vim falar contigo...para ver se talvez querias reviver os antigos tempos.-sentia o cheiro a álcool no seu hálito.Passou o indicador pelo queixo da Margarida,que abanou a cara firmemente.
-Ei,pensei que ficarias mais feliz em ver-me!Afinal passámos uns bons tempos juntos no ano passado...
-Vai-te embora.-o sorriso dele começou a desaparecer.
-Não.
-Vai ou chamo a polícia.-ameaçou,ele riu-se por momentos mas ficou sério logo depois.
-Uau que medo.-ela tirou o telemóvel da mala.
Muito rapidamente pegou na sua mão apertando até ela deixar cair o telemóvel no chão.A bateria e o cartão espalharam-se pelo chão.
-Olha nós não...-comecei não querendo arranjar problemas mas a Margarida olhou para mim severamente.
-Deixa,João.-sussurrou,franzi o sobrolho.O Tiago olhou de mim para ela e começou a rir.
-A sério?Vocês os dois?-riu abertamente quando ela não negou.-E ele sabe o que costumavas fazer?
Ela tinha os olhos pregados no chão.Sentia um mau pressentimento quanto áquilo . Queria dizer á Margarida para irmos embora mas ela não olhava para mim por nada.
-Margarida...
-Não te metas,João.
-Não lhe contaste que eras uma porca metediça?
-Ei,já chega.-tentei intervir.
-Cala-te,João!-gritou-me.
Olhei para ela sem querer acreditar.De repente o meu coração mirrou.Ela não olhou para mim enquanto apanhava o telemóvel.
-Estava só a tentar defender-te.-exclamei.
-Eu não preciso de ajuda,muito obrigada.-começou a andar quase a correr,fui atrás dela.
-Deixa-me em paz!-gritou.Fiquei ali a olhar para ela a afastar-se,sem querer acreditar no rumo que aquela noite tinha tomado.



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