quarta-feira, 9 de outubro de 2013

** Capítulo.26 **

Capítulo.26
                                                     


 Sabia que se a largasse provavelmente nunca mais a iria ver,mas mesmo assim queria afastá-la.Não era justo para mim nem para ela estar-mo-nos a enganar assim.Ela ia-se embora no dia seguinte e nada podia mudar essa realidade,portanto porque é que estávamos juntos? Já era mau saber que nunca mais a ia ver,mas era muito pior ter-me de despedir dela na véspera de ano novo quando sabia que ia passar o dia seguinte em casa,no computador a tentar não pensar nela.Pelo menos ela estaria a voar para Londres e teria algum sítio para onde fugir,enquanto eu só podia voltar para casa. Tinha sido ela a decidir ir-se embora e isso tinha de ser melhor do que ficar abandonado sem saber o que pensar ou sentir,que era exactamente o que eu sentia.
-Tu vais-te embora.-disse,mais para me lembrar a mim mesmo do que para ela.Tirei os seus braços dos meu pescoço e ela não reagiu,continuava a olhar para mim,como que para ver o que eu  ia dizer a seguir. Devia estar a perceber o que eu estava a sentir,porque não se aproximou ou me tentou impedir de afastar.
-Eu sei e não podemos fazer nada quanto a isso.
-Podias-me ter avisado com alguma antecedência...-sussurrei para tentar não sentir a culpa a apoderar-se de mim outra vez,mas era escusado sempre que olhava para ela sentia-me imediatamente envergonhado e cheio de culpa.Desviei o olhar e funguei,começando a sentir um nó no estômago.
-Acho que é pelo melhor.
-O que é que queres dizer com isso?-perguntei sem querer perceber o que aquilo significava.Ela olhou para mim por cima das pestanas com os olhos a brilhar.
-Estava tudo a ficar muito complicado.Acho que nunca te apercebeste do quanto eu gosto de ti...não precisas de me culpar por me ir embora,porque eu tenho feito isso desde o momento em que soube que me ía mudar. -se antes me sentia mal,naquele momento sentia-me muito pior. Nunca tinha pensado que ela se pudesse sentir mal,estive sempre concentrado em eu estar a sentir-me como bosta.
-Desculpa.Tenho andado um bocado preocupado em tentar não pensar em ti a toda a hora,para não me sentir como bosta. - ela pestanejou e fez-me um ligeiro sorriso,como que se decidisse que não queria discutir mais aquele assunto.
-Bom ano novo. -desejou-me a sorrir. Á nossa volta todos entraram em euforia e o fogo de artíficio era libertado.Ela olhava para mim e eu não conseguia de deixar de olhar de volta.
-Bom ano novo. -desejei-lhe de volta a sorrir.
-Alguma vez pensaste que era assim que nos íamos ver pela última vez? -perguntou.
-Não,mas nunca pensei que te tivesse de ver uma última vez. -ela sorriu abertamente,como há muito não fazia.Aquele sorriso fez-me automaticamente mais feliz,não queria saber se daqui a umas horas me fosse sentir horrível vê-la sorrir valia a pena sofrer isso.
-E quem é que disse que tinha de ser a última vez?
-O teu voo de amanhã ás seis horas da manhã.-respondi e ela revirou os olhos com um pequeno riso.Aquele som que eu não havia há semanas fez-me um nó no estômago. Nunca mais ia ouvir o riso ridiculamente giro dela.
-Queria dar-te isto.- de dentro do casaco tirou um envelope branco simples,sem nada escrito.Franzi o sobrolho aceitando o papel.
-O que é isto? -perguntei,apesar dos amigos da Margarida a estarem a chamar.
-Um agradecimento.
-Pelo quê? -perguntei,embora ela já se estivesse a dirigir para o seu grupo.
-Por tudo.-gritou com um sorriso por cima do ombro


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