quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

plot twist



 Cheguei à conclusão que tenho medo de escrever. Que outra explicação pode haver para o que sinto quando estou à frente de uma folha em branco? Exactamente, nenhuma. Tudo o que tinha acumulado na minha  cabeça, todas as frases, palavras e vírgulas desaparecem quando chega o momento de passá-las a tinta e fico só com um nó no estômago e uma vontade de voltar aos dias em que me sabia expressar.
  De repente parece fiquei sem fala. Toda aquela emoção de começar a escrever, de sentir faíscas nos dedos e acompanhar as emoções das histórias que escrevia  desaparece e é substituída por um pânico e ansiedade inexplicável. Lembro-me de mil e uma coisas que tenho a fazer e escrever torna-se momentaneamente secundário e substituível, o que nunca me tinha acontecido. Escrever costumava ser a minha forma de escapar às coisas que não verbalizar e também uma maneira  de fugir a tudo o que me parecia ser vital. Agora, escrever tornou-se uma obrigação, como se tivesse de provar a alguém que ainda o consigo fazer.



Dito isto, vou publicar um novo capítulo hoje ;)

sábado, 26 de outubro de 2013

** Capítulo.28 **

Capítulo.28




 Fechei a minha mão num punho para não hesitar ou parecer que estava nervoso. Suspirei e fechei também os olhos baixando a cabeça. Sentia a atenção da Margarida posta em mim.Não me apetecia falar nem ter de me despedir. Queria congelar aquele momento e não ter de viver com a memória de ela ir-se embora sem eu puder fazer nada.
 -Eu tenho de me ir embora. - disse com a voz baixa.Abri os olhos e olhei para ela. Não sei porquê tinha a sensação que não seria a última vez que a ia ver. Era impossível aquela ser a última vez que eu iria ver aqueles olhos verdes e o seu cabelo incontrolável.
-Eu sei.-respondi suspirando. Ela,porém não se mexeu. Ficou ali,a olhar para mim com a mesma expressão com que eu devia estar.
-Não sei porquê,mas não consigo deixar de pensar que esta não é a última vez que te vou ver.-afirmou.Olhei para ela com um sorriso a formar-se a boca.Ela desviou o olhar com um sorriso discreto na cara.
-Adeus.- disse. Ela passou a mão pelo meu braço,parando na minha mão e sorriu-me.
-Até daqui a uns tempos.
Suspirei ao vê-la virar as costas. Era tão ou mais difícil como eu tinha imaginado.Fiquei sem saber para onde ir ou que fazer,fiquei ali apenas a vê-la subir as escadas rolantes. Quando chegou ao cimo virou-se e olhou para mim uma última vez.
-Vou ficar á espera.-suspirei.

                                                         ***

    26-10-2017

  Fiquei a olhar para as escadas rolantes sem ainda poder acreditar no que ia fazer.Respirei fundo e avancei num passo compassado,sendo quase arrastado pela multidão,até ás escadas rolantes.Numa mão tinha o bilhete de avião e na outra tinha a minha carta de admissão da Universidade de Londres, para a qual ia naquele momento.
 Enquanto subia as escadas rolantes lembrei-me da última vez que ali tinha estado.Tinha ido despedir-me de uma antiga namorada minha,a Margarida.Aliás,não tinha sido minha namorada, mas eu  pensava sempre nela dessa maneira. Era a única maneira que gostava de pensar nela,como a minha antiga namorada,porque o resto que diziam sobre ela não me interessava.
 Lembrava-me desse dia perfeitamente. Estava a chover e eu sentia como se fosse o última da minha vida. E durante vários meses foi como se o meu mundo tivesse mesmo acabado,mas como acontece sempre o tempo passou e com ele foram também os sentimentos. Era estranho estar naquele momento a pensar nela,há já muito tempo que não me lembrava dela...
                                               



Já sabem o discurso: espero que tenham gostado e não se esqueçam de dar a vossa opinião nos comentários ;DD 

Um texto muito sentimental

 Este,como qualquer outro texto escrito por um aluno de humanidades, vai ser uma desculpa para não estudar literatura. Acima de tudo não me apetece ler e reler textos e teses sobre a época medieval ou sobre a diferença entre as cantigas de amigo e as cantigas de amor. Não quero que textos não literários que falam sobre literatura me espalmem na cara que eu não sei absolutamente nada sobre tudo. Porque não interessa saber como a Kate Middleton e o Princípe William se conheceram em comparação com citações de Sócrates que marcaram a diferença para a definição de literatura.
 Como o nosso professor nos lembra tão atenciosamente nós não sabemos absolutamente nada. Claro que tem razão, porque nós temos uma cultura geral fraca,mas sempre que diz isso faz-me sentir como ao John Watson em comparação ao Sherlock Holmes. E,obviamente só me faz perder a vontade toda que tinha de estudar literatura.Portanto aqui vai a minha desculpa para não estudar literatura.

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Well... the fuck??

 Thanks everyone ;D
Eu não gosto muito de estar a dizer coisas muito foleiras e queridas portanto vou-me ficar por agradecer a todos,especialmente áqueles que ainda me seguem apesar de ter publicado menos :)


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

** Capítulo.27**

  Capítulo.27






 Tinha noção que o que ia fazer era errado e desprepositado , mas tinha de arriscar,afinal só tinha mais três horas. Depois disso já nada iria importar, portanto não tinha nada a perder. A partir daquele momento tudo o que fizesse não mudaria a posição em que me encontrava e isso era a minha oportunidade para fazer tudo o que não tinha tido coragem para fazer, dizer tudo o que tinha apenas pensado e fazer o que lia nos livros e pensava ser impossível de se realizar.
  Apesar de só ter dormido quatro horas levantei-me mais acordado do que alguma vez tinha estado. Sentia-me completamente diferente do que pensei que estaria quando soube que a Margarida ia sair do país.Sentia-me vivo e como se nada me pudesse reter.Não conseguia imaginar o fim do dia, nem queria. Para mim, o que interessava no momento era o que estava a sentir e não como iria estar dentro de três horas. E,naquele momento, sentia-me infinito.
 Da minha mesa de cabeceira tirei a carta que a Margarida me tinha dado na noite anterior. Já a tinha lido e relido e conseguia provavelmente dizê-la de cor,palavra por palavra. Pu-la no bolso e corri para a porta sem me preocupar com o barulho ou com a situação das horas. A partir dali ia deixar tudo nas mãos do destino. Já tinha feito tudo que podia e nada disso tinha feito qualquer diferença. Tudo o que podia fazer naquele momento era ver o que acontecia e esperar pelo melhor. Não corri para o autocarro,como costumava fazer quando a ia ver e não verifiquei as horas no meu telemóvel, preocupando-me se ela já podia ter apanhado o voo ou se ia chegar demasiado tarde.Sentia-me calmo ,apesar do tempo dizer o contrário.O céu estava cinzento e quase como que manchado por causa de toda a chuva. Apesar de toda essa dimensão catastrófica estava completamente abstraído disso. Podia sentir-me relaxado e calmo, mas a energia que sentia quando acordei ia atenuando a cada paragem em que passava.
 Quando chegou a minha paragem saí do autocarro com todas as outras pessoas,mas ao contrário delas não corri para fugir á chuva, pois sentia que não era necessário.Se fosse preciso apressar-me o universo faria alguma coisa para isso.Continuei a andar sentindo a minha roupa a ficar cada vez mais encharcada a colar-se á minha pele, até chegar á entrada do aeroporto,que não podia estar mais cheia.Porém procedi com o meu passo compassado até chegar á zona do check-in. Não foi preciso procurar mais. Através de todas a pessoas,conversas alheias e malas enormes, vi aquela cabeleira quase ruiva tão característica. Não consegui evitar sorrir ao vê-la a tentar içar a mala desajeitadamente para a balança. Sem querer derrubou uma mala da família atrás de si, que a olhava com ares de fúria.Abstraída de tudo isso,olhava por cima da multidão em bicos de pés.Ri-me quando tropeçou nas rodas da sua mala e ao vê-la a sair da fila não consegui parar de sorrir.
 Com ela não vinha a família, já deviam estar com a bagagem despachada e a tomar um último café,nos bares do aeroporto.Ela,quando saíu da fila olhou mais uma vez por cima da multidão.Não me mexi e deixei-a encontrar-me. Quando me viu sorriu abertamente e acenou-me de uma forma tímida.Por um momento ficámos ali,simplesmente a retribuir sorrisos,até que uma senhora passou por ela e a empurrou para a frente com a sua mala.Segui o movimento e aproximei-me dela.
-Pensava que não vinhas.-reparou quando já sou estávamos a metros de distância.
-Eu também,mas apeteceu-me vir dar uma volta,portanto...
-Decidiste visitar o aeroporto no dia mais ocupado do ano...-completou com um riso.
-Exactamente.-afirmei ficando finalmente á sua frente.Não podia haver cenário menos desconfortável ou desgostante, mas para mim chegava perfeitamente.Reparei que ela estava com uma olheiras muito profundas e os olhos estavam vermelhos. Aconchegava o cachecol ao pescoço enquanto olhava para a rua através das portas de vidro e suspirava,parecendo mais triste que sempre.
-Vou ter saudades disto,das pessoas,do tempo,de Lisboa...
-Podes sempre visitar.-tentei arriscar e ela olhou para mim de lado.
-Ou tu podias tirar umas férias para Londres.-olhei para ela. Não podíamos fazer aquilo,pensar que podíamos manter qualquer tipo de relação que iria acabar por se desvanecer com o tempo. Preferia acabar tudo de uma vez naquele momento do que me ir esquecendo dela e ela de mim com o passar do tempo.
-Li a tua carta.
-Eu sei.-respondeu.
-E acho que não devíamos prolongar isto.
-Eu concordo. -olhei imediatamente para ela.
-O que é que achas que teria acontecido se não te fosses embora?-perguntei e ela respirou fundo e olhou pensativamente para a rua.
-Teríamos provavelmente continuado a andar sem nunca esclarecermos a relação que tínhamos. Eventualmente tu pedias-me em namoro,eu diria que sim,obviamente,mas com o passar do tempo começávamo-nos a afastar.
-Porquê? -perguntei,eu nunca pensaria que nos iríamos afastar,mais depressa ela cansaria-se  de mim ou aperceberíamo-nos quão diferentes éramos e acabávamos por terminar tudo. Ela continuou a olhar para a rua sem me olhar nos olhos.
-Temos histórias demasiados diferentes,os nossos passados nunca iriam permitir que nada acontecesse.
-Isso não quer dizer nada...
-É o nosso passado que nos define e consequentemente que nos faz as pessoas que somos hoje.E as pessoas não mudam,só evoluem.
-Tu não és a pessoa que eras no passado.-afirmei e ela sorriu.
-Sou,só que evolui. E o teu problema é que nunca tiveste nenhuns problemas como os meus e portanto não sabes lidar com eles. Com o passar do tempo íamos só acabar por nos tornar em pessoas completamente diferentes,sem nos sequer lembrarmos quem éramos ou o que fomos um para o outro.
-Então basicamente se nos virmos no futuro teremos uma oportunidade juntos? -perguntei.Ela olhou-me nos olhos. Não estava a sorrir nem séria,estava só a pensar,como se que a rever o que tinha dito.
-Basicamente.
-Vou esperar ansioso por isso.
-Eu também.


Espero que tenham gostado :D Não se esqueçam de dar a vossa opinião seja ela qual for nos comentários. :) Espero que esteja a correr tudo bem com voçês ;D